Separadores

ATENÇÃO

Este blog é pessoal demais. Este blog dá de si e do seu espaço, da sua liberdade, do seu pensamento e, sobretudo, do seu coração.
Acima de tudo: "Eu escrevo como falo, como sonho, como penso."
Por isso SEGUE O QUE SENTES.

25/12/2009

Noções básicas de Catarina

Eu gosto do improvável, tenho receio do futuro e não vivo em função do passado. As memórias que tenho são boas e más, só assim posso dar o verdadeiro e devido valor ao que me acontece. Já chorei a ver fotografias, já dancei sozinha no meu quarto ao som duma música, já cantei no meio da rua para ninguém, já fui feliz, e continuo a sê-lo. Já amei e fui amada, já me amaram e eu não amei. Tenho uma veia justiceira e estou em constante busca da verdade. Não sou adepta de atalhos, de preguiça nem falsidade. Já caminhei muitas vezes sozinha. Muito do que hoje sou devo a muita gente, o meu coração pertence-lhes. Sou uma eterna sonhadora e embora seja pequena penso sempre em grande. Não gosto de julgar e não gosto que me julguem. Gosto de autenticidade e diferença, liberdade e cores. Adoro rir até chorar, rir por tudo e por nada. Gosto de abraços apertados das pessoas que mais amo. Sou uma apaixonada por perfumes e odores, vicio-me em cheiros. Sou muito temperal, isto é, o meu humor varia com frequência e rapidamente. Quando gosto, gosto a sério. Não gosto de desistir. Não gosto de chorar. O tipo de música que me apetece ouvir está de acordo com o meu estado de espírito. Não gosto de monotonia, rotinas. Não gosto de dormir muito. Adoro fotografias e coisas doces. Gosto de emoções fortes e surpresas inesperadas. Sou uma pessoa forte e alegre por natureza. Gosto de me meter com quem não conheço e de espontaneadade. Gosto de mímicas e de histórias, gosto de escrever. Gosto de tocar viola, muito. Gosto de ser criança. Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre.

10/12/2009

Péssima memória

« A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez ».

08/12/2009

Coração: a jóia, o tesouro.

E a verdade é que não devemos prometer o que não podemos cumprir.
Com toda a minha força digo-te que a fraca não fui eu, mas sim tu! Porque tu prometeste-me que não me ias deixar, e não cumpriste o que prometeste, falhaste como nunca e ainda mais: magoaste-me! "Ai o que eu passei só por te amar, a saliva que eu gastei para te mudar... Mas esse teu mundo era mais forte do que eu e nem com a força da música ele se moveu".
Agora digo-te meu amigo, eu não vou correr atrás de ti, quase sem fôlego pra te alcançar e não conseguir! Eu não te empenhei o meu anel de rubi, mas empenhei-te o meu amor, mas vê só: não gostas de jóias nem tesouros!
Sabes o que aprendi contigo? "Aprendi uma grande lição. Aprendi que não se ama alguém que não ouve a mesma canção".
Agora vou voar, sem ti, e não quero saber.
[DESABAFO Nº2: Hoje fui ver a saga de Twinlight, Lua nova. É LINDO, e certamente vou ver de novo.]

28/11/2009

Don't let me down



« Don't let me down tonight, show me what you can do. I need you to believe what you feel it's true, so please don't let me down. Don't let me down. »
( fotografias tiradas por mim, sem qualquer tipo de efeitos. directamente do produtor ao consumidor LOL - espero que gostem :D )
[DESABAFO Nº1: Não sei onde andas com a cabeça cada vez que falo contigo, esqueces-te de tudo... Na tua cabeça só deve haver ar! Esqueces-te de mim quando estou a teu lado mas lembras-te sempre quando não estou. Estás a ver o que te digo?: tu não valorizas aquilo que tens.]

26/11/2009

Fotografias

Aqui está uma pequena história que ela queria que eu contasse, sobre um rapaz que ela conhece tão bem.
Eles eram tão diferentes um do outro, mas o que havia dentro de cada um era mais forte. Vamos voltar a um dia bom: ele apaixonou-se. Ela apaixonou-se. Pensava que ele era o único para ela, ninguém mais lhe interessava e reparem como poderia ter sido o amor deles: poderia ter sido 'eu e tu', poderia ter sido 'tu e eu'... mas ele magoou-lhe o seu coração e agora ela estava aqui, agora tudo o que ela tinha eram fotografias. Tudo o que tinha eram fotografias que não eram nada sem ele.
Agora o que a estava a matar por dentro era o facto de ele estar tão perto e não o poder ter. Ela estava a ficar doente e precisava duma cura, precisava dele. Ele era melhor quando ela estava do seu lado e o chão que ela pisava era melhor quando ele estava inserido no mundo dela.
E tudo o que ela tinha eram fotografias, fotografias que não eram nada sem ele. Tudo o que ela tinha eram fotografias que lhe lembravam quando ela o fazia rir. Ela não queria ficar presa no passado, mas ele é muito do que ela tem agora e tudo do que ela tinha antes. Ela só não o queria perder, independentemente de ser amor ou amizade.
Agora ele sabe que já não é o mesmo, sente-o, e ela também o sente em si, também sente que já não é o mesmo, mas ela sabe que não está longe do coração dele.
O coração dela não vai deixar de bater, é forte e não vai parar e ela irá sempre gostar dele, mesmo pensando que acabou.
Talvez tudo o que reste sejam fotografias, mas essas fotografias irão sempre ter sentimento, irão sempre ter significado. Ele irá sempre tê-la, sempre por perto.

16/11/2009

Sorri


« Quando a dor te torturar
e a saudade atormentar
os teus dias tristonhos, vazios
Sorri.

Quando tudo terminar
quando nada mais restar
do teu sonho encantador
Sorri.

Quando o sol perder a luz
e sentires uma cruz
nos teus ombros, doridos
Sorri.

Vai mentindo à tua dor
e ao notar que tu sorris
todo o mundo irá supor
que és feliz! »

Charlie Chaplin

15/11/2009

Um dia


O João, um amigo dos que importam e que se contam pelos dedos das mãos, hoje disse-me: "as pessoas que convivem contigo merecem provar um bocadinho do teu talento.", e eu irei provar a todos que a pequena rapariga de que todos julgam não servir pra nada serve pra muito mais do que pensam! Todos temos talentos, eu tenho os meus e espero um dia mostrá-los a todos. Um dia irei mudar o mundo, um dia irás dar-me o devido valor, um dia não será mais um dia e será O dia.

11/11/2009

Criança

Sou a criança que sonha acordada, que ri por nada e que sê feliz mesmo não tendo motivos. Sou a criança que chora e que por vezes fica magoada. Sou a criança que vês hoje e serei a mulher que verás amanhã. Sou a criança que jamais te quer fazer sofrer, e se já o fiz: desculpa.
Sou a criança com que podes falar seriamente e sou ainda a criança que faz bolas de sabão. Sou a criança mais angustiada quando não te tenho por perto e sou a mais radiante quando tu estás e tens os teus braços em volta dos meus ombros.
Sou a criança que te adora no meio deste mundo, escondida entre os adultos, e que daria todos os seus brinquedos só pra ficar contigo. Sou a criança que sonha acordada, que ri por nada e que sorri aqui e agora.

Cada um é do tamanho do seu sonho e sabes, eu sou uma sonhadora.

05/11/2009

A carruagem

Ia em passo lento, de carapuço na cabeça, acompanhando a música que lhe soava nos ouvidos através do iPod, rumo à estação de comboios.
Na estação ela não queria ver o que estava a acontecer, só lhe apetecia fugir deste planeta! - Ele estava com outra, felizes e muito íntimos, como dois apaixonados.
Os olhares dele e dela cruzaram-se e ele não conseguiu esconder o sentimento que ainda tinha por ela, os seus olhos fintavam os dela, e ao passar, sentiu-lhe o mais doce perfume, o perfume dela.
Ela tentava esconder todas as lágrimas, toda a tristeza, toda a revolta. Sentou-se no último banco da estação, sozinha, esperando o seu comboio.
Alguns olhares entre os dois trocaram-se.
O comboio chegou. Ela entrou na primeira carruagem e ele permanecia intacto, sem se mexer, sem fala, apenas a olhar pra ela. As portas estavam a fechar e ele estava do lado da última carruagem. Não pensou mais, entrou na ultima carruagem com as portas quase a fechar.
Ela chorava, sem olhar lá pra fora. Estava a ter um dia péssimo.
Já sem lágrimas, já sem tristeza, já sem o aperto no peito que tanto a sufocava, já sem a chuva e sem rua molhada, ergueu a cabeça com os cabelos doirados. Ergueu porque tinha de ser, ergueu porque não podia continuar na mesma melancolia. Melhores dias virão, pensou ela. A maré de azar iria passar e apenas dias gloriosos, grandiosos e cheios de sorrisos em seu redor viriam, e preencheriam todo o seu tempo, preencheriam todo o vazio que estava dentro dela.
Por mais que ela quisesse pegar no telefone e ligar pra quem tinha deixado o seu coração em cacos, não conseguia. Sabia que tinha que ser mais forte que tudo, mais forte que todos, e sabia que ia conseguir.
Ela era imparável, destemida, sonhadora.
Ele tinha atravessado todas as carruagens, viu-a no último lugar dessa carruagem e ela reparou na presença dele, ali no comboio, a olhar pra ela. O revisor apareceu e pede-lhe o bilhete, ele não o tinha e teve que sair na estação que o comboio tinha parado naquele instante. Ambos estavam com o coração nas mãos: ele ao ver a rapariga mais linda dos seus olhos a ir embora, naquele comboio, e ela ao ver que ele tinha passado todas as barreiras só pra estar com ela, para escreveram mais páginas da sua história.
Com a partida daquele comboio, para ele era como se ela estivesse a ir embora dos seus sonhos, dos seus pensamentos, do seu coração. Ele não a podia deixar, amava-a demasiado mas não restavam opções. Pegou no telefone, procurou o número dela e ligou-lhe. Ela estava do lado de dentro do comboio e viu-o a ligar pra alguém, esse alguém era ela. Ela atendeu e ele disse, com voz desesperada as palavras mágicas e apaixonadas: "Eu amo-te".
Ela apenas sorriu para o lado de fora da janela, onde estava o rapaz, a sorrir também, junto ao ultimo banco da estação.

18/10/2009

10 anos

10 anos. Muita coisa se passou em 10 anos. Crescemos, ficamos maiores, fomos aprendendo, cometemos erros, rimos e choramos bastante, abraçamos e saltamos até à exaustão. Carinhos mais que significativos, conversas mais que importantes. Foram 10 anos bem passados, ao lado de quem se tornou mais importante que tudo. Tu poderias contar-me mil e uma histórias de embalar sem eu adormecer, pois a tua doce voz faz-me sonhar acordada. Tu poderias ficar sem falar comigo mil e um dias, e eu continuaria a amar-te como no início. Tu poderias cantar mal pra raios e ser irritante até dizer chega (o que ainda bem que não acontece xD) mas se acontecesse, eu jamais me fartaria de ti. Se te acontecesse alguma coisa à qual a tua vida dependeria, tu sabes que daria a minha vida por ti. Tu sabes que se caires, eu vou estar lá pra te dar a mão, ou melhor, vou-te agarrar pra que isso não aconteça. Tu sabes que 10 anos com alguém é mais que amizade. Tu és mais que uma amiga. Melhor amizade não é dizer que se ama, é cumplicidade e irmandade, é reconhecer os defeitos e admirar as qualidades. É dizer um turbilhão de palavras pelo olhar, sem os lábios mexerem, e saber que foi a maior conversa que já tivemos. É dar o ombro pra chorar, pra rir e pra aquecer. É abraçar longamente e esperar que o dia seguinte chegue pra ter o abraço de novo. É ter alguém por perto, sempre pronto a escutar. É ter alguém de que se ama e que não se quer perder. É ter uma melhor amiga. É ter uma irmã. É ter-te a ti.
Obrigada por estes 10 anos, e que venham mais 70 mil.
Eu amo-te.

15/10/2009

O meu quadro

Eu pintava no meu cavalete, as cores mais brilhantes que haviam, as cores dos teus olhos e tu eras o meu pincel, aquele que eu usava nos meus quadros. Podia nem pintar nada, a vida não passa de traços abstactos pintados com as cores que queremos, eu escolhia as tuas. Agora escolho as cores que me calham nas mãos, as misturas que faço, pinto com as cores nunca antes vistas e muito mais brilhantes. Agora continuo a pintar, pinto sem ti, sem as tuas cores e sem o teu sorriso. Agora sinto a tinta nas minhas mãos. Agora eu pinto com os dedos.

09/10/2009

Abre os olhos

Abre os olhos e vê se não te enganas tanto. Estás tão diferente, tão estúpido e tão frio que nem notas a diferença. Agora responder com palavras geladas é o teu menu do dia preferido. Já não sabes ser como dantes, ser querido mesmo sem dizer palavras. Já não sabes olhar e sorrir de felicidade para as pessoas. Já não sabes ser tu. Deves estar mais feliz, parabéns! Já não és único, tornaste-te igual a todos os outros. Se a desculpa de muitos para a tua mudança é a idade que faz crescer então se isso muda assim tanto uma pessoa, cresce mais um pouco e aprende por ti próprio!
Ah mais uma coisa, eu não te vou chatear e nem penso andar atrás de ti feita parva, se precisares de mim, tu sabes onde me encontrar. Espero que nunca fiques sozinho.

03/10/2009

Sonho

De todas as vezes que fecho os olhos pra dormir és tu em quem eu penso. Penso nas coisas que te poderia ter dito, nas coisas que poderia ter feito, nos erros que cometi, no quanto eu gosto de ti.
De todas as vezes que fecho os olhos pra dormir é pra te encontrar no meu sonho profundo, pra vestir a tua camisola com o teu cheiro incrivelmente doce.
De todas as vezes que fecho os olhos pra dormir é pra estar contigo, pra te poder sentir de perto.
De todas as vezes que fecho os olhos tenho medo. Medo do sonhar com o que não quero, medo de que uma noite não apareças por entre os meus sonhos e que me deixes de vez.
De todas as vezes que fecho os olhos pra dormir e que sonho contigo, não quero mais acordar.
A nossa realidade está um pouco diferente.
Sonhos são apenas sonhos.
Ainda assim acredito que nada é impossível, basta insistir.
Tentar de novo.
Desta vez vou fechar os olhos, como em todas as outras noites, só que agora vou sonhar contigo e tu vais estar a meu lado na mais pura realidade, abraçado a mim.

26/09/2009

Livre

(fotografia: Catarina Gaspar)

Quero voar, ser livre, cantar bem alto sem medos, dançar como se ninguém estivesse a ver, rir até doer a barriga e abraçar até mais não. Correr e rodopiar até ver tudo à roda, como fazia em criança. Quero ver o mar e sentir o cheiro a sal. Quero saber o que é que tu pensas e quero fazer-te sorrir, fazer-te feliz. Quero tremer de nervosismo e quero chorar de alegria. Quero saltar até à exaustão e quero beijar as bochechas delas. Quero dizer-lhes que são muito mais do que pensam e que fazem o que sou hoje. Quero viajar para outro lugar, quero tocar guitarra até ficar sem pele nos dedos (talvez um dia mostre-vos alguma coisa tocada por mim, quem sabe). Quero liberdade, quero dizer o que penso e dizer o que gosto, sem julgamentos, sem medos. Quero tudo e não quero nada.
Quero ser eu.

22/09/2009

Erros por defeito

Eu errei mas só te quero a ti, fica comigo e dá-me mais uma oportunidade. Escolhe o caminho de nós os dois, eu e tu juntos. Abraça-me, aquece-me, dança comigo sem música, rodopia comigo no ar e sorri pra mim. Olha-me com os teus olhos doces e promete-me outra vez que nunca me vais deixar.




PS: i love you.

11/09/2009

Novo rumo

A lua já sem luz, sol já sem calor. A rotina do dia já não faz magia, e a magia já não tem cor. Algumas amizades, com o tempo, já se vão perdendo. Os sorrisos vão ficando esquecidos neste mundo, nesta terra dorida.
Não entendo... Porque é que o mundo tem de ser ao contrário pra se perceber?! Porque é que as pessoas estão cada vez mais fracas pra entender?!
Entender a essência da vida, o brilho da liberdade, o calor das paixões e a alegria dum simples sorriso! Hoje em dia ninguém repara na pessoa que vive ao nosso lado, já não se diz "bom dia" ao porteiro, já não se cumprimentam as pessoas e dizer "Olá, está tudo bem? Tudo óptimo e contigo?". Agora a moda é dizer "está-se indo", a moda do vai-se andando e ninguém anda pra lado nenhum, na realidade, pois estamos sempre no mesmo sítio, sem qualquer um progresso!
É preciso mudar o mundo, que este está tão escuro e basta um sorriso pra haver mais um ponto luminoso no ar.
Basta querer, aprender de novo, a sorrir e a ser feliz.
Basta tentar até acertar, conseguir e vencer!
Basta caminhar, desta vez em frente, e encontrar um novo rumo a ter.

03/09/2009

Amar


« Amar é sorrir por nada e ficar triste sem motivos, é sentir-se só no meio da multidão, é o ciúme sem sentido, é ser feliz de verdade. »


Quando ela o conheceu ela sabia que ele era diferente, diferente dos outros, diferente do mundo. Ela não sabia bem se isso era bom se mau, não sabia o que podia falar com ele, não sabia os seus gostos, não sabia o seu cheiro, o seu toque ou o seu sabor. Sabia que o queria, como uma criança quer um brinquedo diferente e novo. Ele era mais que um brinquedo, era mais que mais uma pessoa no mundo, era mais que um rapaz, era mais que diferente. Agora ela desejava-o como seu, mas não como um brinquedo como d'antes e tentar descobrir como funcionava, e sim desejar fazer parte dele, tornar-se um só, quando juntos... Queria-o como o dia quer o Sol e como a noite quer a Lua, queria-o como o mar precisa da água salgada, como a praia precisa da areia dourada.
Ela perguntava-se, tantas e tantas vezes, se ele a desejava da maneira que ela o desejava. Ambos eram tão diferentes e diálogos não fazem a diferença, pois os gestos falavam as palavras que a boca não conseguia pronunciar... Como se os beijos, os abraços e os olhares fossem a única linguagem.
O sol já se punha e ela só queria abraçá-lo, senti-lo bem de perto, sentir o seu perfume e deixar-se aquecer pelo seu calor. Uma música de fundo, vinda do nada começou a tocar, era suave e sabia tão bem ouvi-la. Ela sabia que já se fazia tarde e que tinha de voltar pra casa, esperou até a música acabar, mas a música não acabava. Em vez de acabar voltava ao início, recomeçando a bela melodia, como se isso fosse o recomeço do abraço, o recomeço do calor, o recomeço de toda a noite mágica envolvida em amor.

29/08/2009

Contos de Fada

A típica história de amores que aparentam ser impossíveis mas no fim "todos viveram felizes para sempre". Todas nós, raparigas, somos princesas que um dia queremos encontrar o príncipe. Será que existe mesmo o príncipe deslumbrante aos nossos olhos, aquele que nos trás o sapatinho ou aquele que nos beija e nos acorda dum sono profundo? Será que existe mesmo o príncipe que era um animal feio e que se transforma em belo? E será que todas nós temos que ser belas pra encontrar o nosso príncipe? Sim, porque em todos os contos de fada as princesas são boazinhas e lindas. Num dos livros que neste Verão li e encontrei um excerto à qual fiquei encantada.

« Ás vezes revolvo todos os meus livros de histórias de encantar e fico a pensar como todas estas pessoas foram mais importantes que as fadas, boas ou más. Tocar com uma varinha de condão numa abóbora e dizer " quero que isto se transforme em carruagem" - que dificuldade há nisso, partindo do princípio que as varinhas de condão não estão avariadas nem as fadas perderam os seus dons sobrenaturais (e ainda não vi nenhuma história em que isso acontecesse). O que é difícil é fazer das nossas mãos as varinhas de condão que não existem, que não existirão nunca a não ser na imaginação das pessoas. O que é difícil é acreditar nas pessoas como se acreditava nas fadas. Até porque as fadas diferenciam sempre muito, para facilitar a tarefa. Não há fadas feias. tal como não há bruxas bonitas, senão como as havíamos de distinguir? Assim como as princesas são todas bonitas, elegantes, de cabelos loiros e pele muito branca. E as madrastas são todas feias, gordas, estúpidas e perversas. Quem iria gostar da Cinderela se ela tivesse os olhos tortos, pesasse 80 quilos ou fosse preta? Quem iria ter pena da Branca de Neve se ela fosse preta, com uma carapinha mais desgrenhada que a da Zica, e uma pele toda marcada das bexigas? E no entanto lá por dentro elas continuavam a ser as mesmas, a sofrer maus tratos, a ser infelizes. Mas como iríamos nós adivinhá-lo? Assim tudo está mais simplificado: bonitas, são boas; feias, são más. Vitória vitória, acabou-se a história. »


Alice Vieira; Lote 12, 2º frente



Vejam o vídeo, vale a pena :)

Um dia

Numa noite destas, ela, escrevendo no seu diário, pensava nele. Dele, ela apenas queria sentir o seu toque, sentir a sua respiração, ouvir o bater do seu coração, pegar nas suas mãos frias e torna-las quentes, sentir o seu cheiro viciante. Queria ficar presa ao calor do corpo dele. Queria sorrir pra ele e queria que ele sorrisse pra ela com aquele sorriso ternurento que só ele tem. Queria os beijos na testa em sinal de afecto numa noite escura. Queria rir das suas piadas e queria ficar naquela noite pra sempre. Recordou as mil e uma fotografias que tinham dos dois e lembrou-se de tudo com um sorriso, em tom de agradecimento por tudo de bom que passou ao lado dele, por tudo o que ele lhe tinha ensinado, por tudo o que ele lhe ensinou a ser, por ele existir na sua vida. Ela sorriu outra vez e, olhando uma fotografia dele, disse sussurrando: nunca me deixes, tu prometeste-me.
Talvez ela reconquistará tudo o que perdeu, um dia. Mas terá que ser com calma, muita calma. Não haverá pressas e também não haverá metas. Poderá ela nem ela conseguir reconquista-lo, mas pelo menos a sua amizade ela sabe que vai ter.

«Amor só é amor quando o pudemos partilhar».

28/08/2009

Verão

Porque é tempo de Verão, de calor, de céu e de mar. Tempo de abraços de saudade, de sorrisos descontrolados, de refrescos gelados e de pés descanços na areia. Tempo de sentir o corpo e os cabelos salgados. Tempo de calma e de paz. Tempo de magia e amor. Tempo de Verão. Tempo meu.





15/08/2009

Gestos

«Há tantas coisas que ela tenta dizer-lhe, pelo olhar, por gestos, mas não adianta, não entende. Não importa. O abraço é forte e gestos valem mais que palavras.»
As palavras são poderosas, isso todos nós sabemos. Mas quando duas pessoas são tão diferentes e tão iguais as palavras são ultrapassadas pelos gestos. Gestos que unem num só, gestos que fazem com que os sentimentos durem por muito tempo. Gestos que fazem com que a noite não queira acabar. Gestos importantes. Momentos importantes. Pessoas importantes.
O sentimento é o que somos, é o que nos une.
Todos precisamos de sentimento, de gestos, abraços, palavras, magia, cor, sorrir, sol e lua, chuva e tempestade, frio e calor, amigos e família. Todos precisamos de nos agarrar a alguma coisa, algo que nos mantenha de cabeça erguida e com um sorriso na cara. É disso que precisamos, todos nós.

31/07/2009

A Carta

Ela olhava o rio sobre a varanda, a água brilhante, o sol radiante, a brisa leve. Para muitos era o que bastava mas ela continuava a sentir que lhe faltava algo, um pedaço seu que alguém lhe tinha roubado.
Foi ao quarto e pegou numa caneta preta e numa folha de papel que estava rasgada numa das pontas. Voltou para a varanda e sentou-se no chão, imovél, olhando para o papel. Começou por fazer um risco mas quando deu por si tinha feito um desenho de duas pessoas, abraçadas. Voltou a folha para o seu verso, que estava em branco e decidiu escrever uma carta.
« Ainda sinto um vazio cá dentro. Não sei se é a falta das tuas mãos dadas com as minhas, a falta de ouvir as tuas palavras, de sentir a tua mão no meu rosto, de me beijares a testa, de mergulhar no teu doce olhar, de ficar vidrada no teu sorriso. Não sei se é a falta das conversas sobre tudo que d'antes eram frequentes ou se é a falta dos longos momentos juntos, unidos, no nosso mundo à parte, pintado com cores nunca antes vistas. Eu não sei se é a falta de sentir o teu sabor, de receber o teu calor, de sentir o teu abraço longamente.
Eu pensava que iria ser tudo mais fácil, menos confuso.
Sei que já te magoei como ninguém mas não te esqueças que já te amei como nunca. Já foste tudo o que precisava para sorrir. A minha razão.
Sonhar, sonhámos os dois, demasiado alto.
Nunca quis acabar com todo o encanto que nos envolvia, mas tu falhaste no teste. A primeira vez que falhaste comigo. Agora sei que a culpa é minha. Eu tinha-te prometido que os testes tinham acabado mas não cumpri e o teste final foi o fim. Eu falhei muito contigo. Desculpa.
Eu não sei se sinto falta do teu amor, mas sei que tu fazes-me falta.
Desculpa pela batalha que não fui capaz de conquistar, tu que eras o príncipe do reino das cores fora da paleta*.»
Guardou a carta escrita a tinta preta, porque a saudade era maior que a coragem e nada a faria voltar atrás.

(imagem encontrada)
Catarina Gaspar

*paleta - Tábua em que o pintor dispõe e combina as tintas.

24/07/2009

O banco verde do jardim


Era no banco verde do jardim que costumavam estar, juntos, abraçados, fazendo companhia um ao outro. Ela agora estava sozinha, em silêncio, escutando os pássaros, sentindo os seus cabelos castanhos dançarem ao som do vento. Sentia-se perdida naquele lugar, mas era o único sítio que lha trazia calmaria e paz à sua mente. Um milhão de coisas passavam pela cabeça. Do banco via-se um rio, grande e brilhante. Sonhava com o dia em que partira sem destino. Agora nada a impedia, nada a prendia, nada lhe faria voltar atrás. Apenas queria largar e esquecer, tentar sorrir de novo, sozinha ou acompanhada. Deitou-se no banco, com as lágrimas a cair pela face, fechou os olhos e caiu num sonho profundo. Sonhou com o dia em que se conheceram, naquele mesmo banco verde de jardim, num dia de chuva. Ela morava ali perto e ele também mas nunca antes se tinham cruzado. Ela tinha saído de casa a meio de uma discussão com os pais e tinha ido para jardim, vagueando e acabando-se por sentar naquele banco. Colocou os pés no banco, agarrando com os braços em volta das pernas e deitando a cabeça sobre os joelhos. Num dia como este não se via ninguém na rua. As suas lágrimas eram disfarçadas pela água da chuva e os soluços do seu choro, pelo barulho da chuva a cair. Por ali passava um rapaz, mais alto que ela, olhos brilhantes e cabelos castanhos, tinha a pele morena e a roupa ensopada. Andava à chuva e sentou-se junto dela, sem uma única palavra dita. Ela apercebera-se de uma presença e levantara a cabeça, ficando olhos-nos-olhos com o rapaz. Ele sorriu-lhe o que fez com que ela sorrisse também. O seu sorriso era tão encantador, único, diferente, mágico. Passado algum tempo de silêncio e de impaciência, ele finalmente dirigiu-lhe uma pequena frase "Está um lindo dia!". A voz era grave e doce ao mesmo tempo. Ela ficou perplexa a olhar pra ele, nunca tinha conhecido ninguém que gostasse de chuva como ela gostava. Fez-lhe um sorriso tonto e disse que sim. Mais silêncio. Ela parara de chorar e ele olhara em frente, observando atentamente a chuva. Ela reparava em cada pormenor da cara dele, olhava-o como ninguém. Sentiu borboletas na barriga, olhava para os lábios, para os olhos, queria-o por perto, queria senti-lo. Ela olhou para baixo e assim permaneceu. Ele olhara para ela, reparava nas curvas do seu longo cabelo castanho. Os seus olhos eram verdes, grandes e brilhantes também. Os lábios eram carnudos, tinham um tom rosa claro, suave. O seu sorriso espalhava brilho pela cara e dava-lhe um ar acriançado, leve, doce.
Os olhares acabaram por se encontrar novamente. Notara-se uma química especial e diferente entre estes jovens, era algo inexplicável. Cada vez estavam mais próximos. As mãos, agora, tocavam-se. Surgira um beijo, lento, intenso, terno, único.
Estavam completamente perdidos de amor. Será possível alguém se apaixonar sem saber nada um sobre o outro?
Fizera-se tarde e agora começara a escurecer, já sem chuva. Estava na hora de cada um seguir o seu rumo mas o silêncio permanecia. Ele acabara por dizer algo que ela não percebeu. Ela apenas sorrira com o mesmo tom de sorriso de quando chovia. Combinaram encontrarem-se no dia seguinte, à mesma hora, com chuva ou com sol, mesmo não sabendo nada um do outro.
Ela acordara agora, depois deste sonho profundo. Pegou numa chave e com a ponta escreveu no banco verde do jardim "SAUDADES TUAS".
Catarina Gaspar

23/07/2009

O Ciclo da vida

« Já perdoei erros quase imperdoáveis, já tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas que nunca pensei me decepcionar, mas também já decepcionei alguém. Já abracei para proteger, já ri quando não podia, fiz amigos eternos, já amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei. Já gritei e saltei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, magoei-me muitas vezes. Já chorei a ouvir uma musica e a ver fotografias, já liguei só para ouvir uma voz, apaixonei-me por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tantas saudades, e tive medo de perder alguém especial (e acabei por perder). Mas vivi. E ainda vivo! Não passo, simplesmente, pela vida. O melhor mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve, e a Vida é muito para ser insignificante. »

Charlie Chaplin