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A Catarina dos quase-20

Já vou a caminhar para os 20, ainda sou uma gaiata com voz doce e leve, com sorriso a dominar o rosto e com metro e meio. Desde o meu sétimo ano que calço o 36. E o meu pé não cresceu mais. Na verdade, desde esse tempo que poucas coisas cresceram em mim: cresceu, somente, aquilo que faz de mim uma mulher. E cresceu também a vontade de envergar esse estatuto! Cresceu o gosto pelas roupas, eu que tive uns anos armada em Maria-Rapaz. Nos tempos livres passados em casa da minha avó materna inventava roupas que a minha ela me ensinava a fazer e coser. Desde cedo o gosto pelas roupas se desabrochou e que ainda hoje perdura. Já a minha querida avózinha era Modista de Alta Costura em Lisboa. Ensinou-me na costura tudo o que sei hoje e a ela lhe devo isso! Fazendo uma retrospectiva de mim mesma, cresceu, também, nessa vontade de ser mulher, uma confiança em mim própria depois de ter todo o meu orgulho e coração despedaçado. Foi a primeira vez que não me sentei à tona de mim própria e tomei ...

Tell me, darling: Is he The One?

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Yes mum, he is the one. And now, more than ever, I am really sure of it.

"Porque é que estás tão calada, meu amor?"

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Ás vezes gostava de ser menos eu. É, assim mesmo: menos eu. Gostava de ser menos sensível, gostava de não chorar tanto e por tão pouco, gostava de sentir menos. Ao menos, se sentisse menos as coisas, elas não ficariam tantas vezes entaladas entre o peito e a garganta e não acabaria em lágrimas. Ás vezes gostava de ter sempre a resposta certa, mesmo que essa resposta fosse somente silêncio. Eu calo-me muitas vezes. E eu até sou uma pessoa de falar muito! E é quando me calo que me sinto mais longe de mim mesma. E tu perguntas "Porque é que estás tão calada, meu amor?" e eu respondo "Não sei bem o que dizer." e olhas-me com reticências a pairar sobre a tua cabecinha de menino pensativo que acha que eu penso demais.  Tu conheces-me , sabes que sou uma pessoa que gosta de pessoas e de afectos, que sinto e falo demais, que sinto demais. Tudo demais e com demasiada intensidade. E quando me calo, sentes que o mundo virou do avesso. Deves ter tanto medo do meu sil...

Take a chance

“ If you’re not scared then you’re not taking a chance. If you’re not taking a chance then what the hell are you doing anyway? ” —  Ted Mosby, “How I Met Your Mother”

amore mio

«Desconfio tanto de gente que grita amor aos quatros ventos, que adora expor o que sente o tempo todo, e nas atitudes deixa a desejar. E não é segredo para ninguém que o segredo é falar menos, pensar baixo, sentir de verdade, porque amor baixinho tende a ser mais sincero e duradouro. Eu adoro gritar às vezes, e já fiz bastante barulho, mas aprendi que a gente encontra paz, amor, e sossego, é no grito de dentro e no silêncio por fora. É na voz susurrante que sinto mais verdade, na sinceridade de quem cala para não gritar nada do que não sente. Se for amor - e se não for: silêncio, amore mio !»

Uma tempestade num copo d'água

«Então tu olhas para o meu copo d’água e dizes: “eu sou só um copo d’água, mas tu ficavas a olhar-me e a pensar nas bolhas e nos gelos e nos canudinhos e na transparência e se a água era isso ou aquilo. Água é só água, por que é que tu complicas a água?”. Então, apagaram a luz e eu quis esconder-me dentro do teu paletozinho de publicitário descolado e ouvir as tuas batidas descompassadas e embaladas pelo teu cheiro de alma boa. Mas tu pegaste na minha mão e continuaste a dizer que uma mão, muitas vezes, é apenas uma mão. Mas que eu insistia em olhar os buracos entre os dedos, os anéis que separavam os dedos, a dor da separação dos dedos, a gota da bebida gelada entre os dedos. E que tu não poderias suportar isso. A maneira como eu te olhava. Vendo mais, inventando mais, complicando mais. E eu quis dizer-te que tudo bem, eu seria uma menina simples. Eu mataria o meu narrador, as minhas possibilidades, os meus mundos, as minhas invenções. Só de ver os teus cachos mais grisalhos e roco...

O que eu gosto em ti

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És fantástico, maravilhoso até! Nós temos um entendimento que mais ninguém tem. Tens paciência para mim, para a Catarina-criança e para a Catarina-adulta. Acima dessa paciência louvável para um bicho-do-mato e mau-feitio como eu, adoro a forma como tens objectivos na vida, embora leves sempre uma vida ao sabor do vento vinda do acaso. Adoro a forma como o saber é prioritário e insaciável e queres sempre saber mais. Gosto que gostes de documentários, de filmes, da magia, do sonho, da arte, da vida. Gosto que me olhes com uma ternura tão doce com aquele sorriso fugido no canto dos lábios. Aquele olhar de quem pertence sem se ser dono. Gosto de dormirmos sempre agarrados, seja numa cama minúscula ou numa gigante, mesmo com 40 graus debaixo dos lençóis. Gosto de como pensas sobre a arte, sobre as coisas, sobre a vida. Gosto que penses. Que sejas inteligente, sobretudo. E ainda que tenhas aquela piada que deixa qualquer miúda caídinha. Apesar de não achar tanta piada quando as miúdas te ac...