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ATENÇÃO

Este blog é pessoal demais. Este blog dá de si e do seu espaço, da sua liberdade, do seu pensamento e, sobretudo, do seu coração.
Acima de tudo: "Eu escrevo como falo, como sonho, como penso."
Por isso SEGUE O QUE SENTES.

21/04/2014

A Catarina dos quase-20

Já vou a caminhar para os 20, ainda sou uma gaiata com voz doce e leve, com sorriso a dominar o rosto e com metro e meio. Desde o meu sétimo ano que calço o 36. E o meu pé não cresceu mais. Na verdade, desde esse tempo que poucas coisas cresceram em mim: cresceu, somente, aquilo que faz de mim uma mulher. E cresceu também a vontade de envergar esse estatuto! Cresceu o gosto pelas roupas, eu que tive uns anos armada em Maria-Rapaz. Nos tempos livres passados em casa da minha avó materna inventava roupas que a minha ela me ensinava a fazer e coser. Desde cedo o gosto pelas roupas se desabrochou e que ainda hoje perdura. Já a minha querida avózinha era Modista de Alta Costura em Lisboa. Ensinou-me na costura tudo o que sei hoje e a ela lhe devo isso!
Fazendo uma retrospectiva de mim mesma, cresceu, também, nessa vontade de ser mulher, uma confiança em mim própria depois de ter todo o meu orgulho e coração despedaçado. Foi a primeira vez que não me sentei à tona de mim própria e tomei a posição de nunca mais deixar que nenhum rapaz fizesse de mim gato-sapato! E eu chorei muito... Mas ergui-me firme muito mais! Aos 16 as roupas deixaram de ser largas, os casacos e as sweat-shirt's deixaram de ser o S da secção de homem e passei ser mais menina... Mais eu... Mais calções e tops, primeiro o rímel, depois o lápis, depois como aplicar devidamente um creme de olheiras e só mais tarde é que afirmei o batom! A primeira vez tinha 18 anos, talvez. Já tinha confiança total em mim. Eu já sabia quem eu era, em quem me tornara, já me conhecia e já conhecia quem circulava à minha volta. Felizmente, andei numa escola secundária em que não havia pressões de estilos, cada um era como quisesse ser e vestia-se como lhe bem apetecesse. Acho que foi aí que deixei de ter medo de mim própria e decidi ser quem eu quis ser. Ter mudado de escola, o que ao início era uma mudança radical e nos primeiros dias uma catástrofe, tornou-se na melhor decisão da minha vida e essencial para quem eu sou hoje. Se não fosse essa escola, dificilmente estaríamos juntos agora.
Passados os anos de descobertas do "Eu", hoje sou a Catarina determinada, que gosta de desafios, que ainda faz tempestades num copo-com-água mas que rapidamente tudo passa breve. Sou a Catarina de emoções fortes que ainda sente demais e já não vê mal nisso. Sou a Catarina que gosta e sempre gostou de risos, abraços, amores fortes e verdadeiros, amigos que perdurem e que não machuquem. Sou a Catarina que pede Sol todos os dias e Estrelas todas as noites. 
Hoje sou a Catarina, a menina e mulher que tu conheces tão bem, que já não tem medo de ser quem é à tua frente. Hoje sou a Catarina que se perdeu de amores por ti e que deixou com que trocassem metades de ser, metades de tecidos da pele e sonhos iguais de que nós dois somos feitos.
Hoje sou a Catarina que amanhã continuará a querer-te por perto, tão perto, para o resto da vida...


E se isto não for uma jura de amor eterno, que seja somente todo o meu amor por ti, aqui neste lugar meu que também te pertence, muito bem condensadinho, para que um dia, em que eu esteja mais longe do teu beijo, ainda possas lembrar-me como se estivéssemos debaixo dos mesmos lençóis.


Amo-te. E já não é segredo há muito.

Tell me, darling: Is he The One?




Yes mum, he is the one. And now, more than ever, I am really sure of it.

12/04/2014

"Porque é que estás tão calada, meu amor?"


Ás vezes gostava de ser menos eu.
É, assim mesmo: menos eu. Gostava de ser menos sensível, gostava de não chorar tanto e por tão pouco, gostava de sentir menos. Ao menos, se sentisse menos as coisas, elas não ficariam tantas vezes entaladas entre o peito e a garganta e não acabaria em lágrimas.
Ás vezes gostava de ter sempre a resposta certa, mesmo que essa resposta fosse somente silêncio. Eu calo-me muitas vezes. E eu até sou uma pessoa de falar muito! E é quando me calo que me sinto mais longe de mim mesma. E tu perguntas "Porque é que estás tão calada, meu amor?" e eu respondo "Não sei bem o que dizer." e olhas-me com reticências a pairar sobre a tua cabecinha de menino pensativo que acha que eu penso demais. 
Tu conheces-me, sabes que sou uma pessoa que gosta de pessoas e de afectos, que sinto e falo demais, que sinto demais. Tudo demais e com demasiada intensidade. E quando me calo, sentes que o mundo virou do avesso. Deves ter tanto medo do meu silêncio quando eu tenho do teu. Eu tenho sempre medo do que possas pensar de mim, quando não sou correcta contigo, quando tenho atitudes infantis, quando não te respeito da forma que tu queres e mereces, quando sou alguém que tu não conheces e que eu não reconheço. Apesar disso tudo, no fundo, eu só quero estar bem contigo e dormir com a consciência tranquila de que amanhã vou acordar sabendo que ainda me amas. No fundo, eu só queria que pusesses de parte todos os mil defeitos que tenho chapados na cara e que conseguisses ver a rapariguinha de olhar grande e cheio de curiosidade que sou eu.
Nós temos as nossas zangas e ambos ficamos desolados quando o dia termina mal, quando não dormimos na mesma posição, quando os nossos sonhos estão separados como nós.
Ás vezes penso como seria se vivêssemos juntos, como tanto desejamos no futuro (pelo menos eu desejo...): se cada um voltado para seu lado, cada um no seu lado da cama; ou se esquecemos tudo isso na hora de dormir, damos as mãos e os pés e o corpo todo se entrelaça, se damos um beijinho e dizemos boa noite como sempre fazemos toda a vez que a nossa cama é a mesma.
E tenho medo que esses dias a dois menos bons cheguem. Tenho medo que não me aguentes, que aches que não vale mais a pena, que não tenhas forças para aguentar o nosso amor e de lutar por ele, aquele em que investimos tudo aquilo que somos, porque ambos entregámos a nossa alma um ao outro.
Fiquei rendida a ti desde o primeiro dia e até à uns tempos achei difícil acreditar que eras mais forte que eu, porque era o que eu mais temia... Que fosses mais forte, tão mais forte que eu, que eu jamais conseguiria ser eu sem ti. És metade de mim. E sem ti não faz sentido.
Agora, enquanto te escrevo, desolada e com o coração (que é teu) nas mãos, penso como será o dia de amanhã... Se hei-de ir atrás daquilo que quero e que dizes que não sei saber, ir atrás daquilo que me faz feliz e amo ou se hei-de ficar quieta e calada, como aquela Catarina que não sou eu e que gostava mais de ser.
Essa Catarina é certamente mais calma, mais ponderada no que diz e faz. Certamente, uma Catarina que tu gostarias mais...
Amanhã não sei que Catarina vou escolher ser. Mas hoje sou a Catarina que te ama, com toda a alma que ainda tenho e espero (e desejo com muita força) que logo, quando te deitares na cama onde partilhámos mil noites e mil sonhos, ainda me continues a sentir aí e a quereres-me no dia seguinte.

Amo-te.

03/04/2014

Take a chance

If you’re not scared then you’re not taking a chance. If you’re not taking a chance then what the hell are you doing anyway?
— Ted Mosby, “How I Met Your Mother”

01/04/2014

amore mio

«Desconfio tanto de gente que grita amor aos quatros ventos, que adora expor o que sente o tempo todo, e nas atitudes deixa a desejar. E não é segredo para ninguém que o segredo é falar menos, pensar baixo, sentir de verdade, porque amor baixinho tende a ser mais sincero e duradouro. Eu adoro gritar às vezes, e já fiz bastante barulho, mas aprendi que a gente encontra paz, amor, e sossego, é no grito de dentro e no silêncio por fora. É na voz susurrante que sinto mais verdade, na sinceridade de quem cala para não gritar nada do que não sente. Se for amor - e se não for: silêncio, amore mio