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ATENÇÃO

Este blog é pessoal demais. Este blog dá de si e do seu espaço, da sua liberdade, do seu pensamento e, sobretudo, do seu coração.
Acima de tudo: "Eu escrevo como falo, como sonho, como penso."
Por isso SEGUE O QUE SENTES.

23/03/2013

Estamos perdidos

É noite. Tentas beijar-me, eu afasto-me. Pegas na minha mão, estás gelado e dizes coisas que nunca imaginei saírem-te da boca. Tenho medo. Tu também tens. Estamos os dois perdidos: no mundo, na vida e um no outro. Penso se algum dia encontraremos o nosso caminho, se nós dois valerá a pena. Eu tentei fugir, o máximo que consegui, mas tudo o que consegui foi uma distância que nos fez ter saudade que não se apaga. A saudade é sempre impossível de apagar. Haverá sempre aquela força que não se explica, que numa noite liga e no outro dia não desata. Parece que se passaram anos desde que te conheci e  nossos corpos se fundiram como a chuva se funde no oceano. Não, não é só o corpo que se funde, é a vontade que o corpo tem, aquela vontade irracional porque nestas coisas do amor a cabeça desliga e só o coração manda, aquele feeling bom dentro de nós que é constante quando estamos perto um do outro e que aumenta quando estamos longe. Ainda ontem te vi e já me queres amanhã. Morremos de saudade porque estamos sempre com saudades, porque a saudade não vai embora. Não, não é só corpo, não é só uma atracção física que nos une: é a conexão entre mentes que é rara e que existe connosco,  porque eu sei como tu és e tu sabes como eu sou - e nenhum de nós pensa em apontar defeitos; nós aprendemos que isso é o que define um ser.
Eu gosto da luz do dia que me permite ver-te na claridade e na totalidade, mas a noite tem magia, é a noite que nos transforma e nos liberta, é a penumbra que nos une mais e mais porque à noite as imagens do dia são disformes. Eu e tu fartos dos que é linear. Somos loucos, somos impossíveis mas estamos ligados como não conseguimos com nenhum outro.
Não consigo tirar a cabeça imagens que me deste, frames tiradas de filmes, o sol a beijar-me o rosto entre os estores, a minha cabeça nos teus ombros...
Sinto a arritmia quando te vejo e o coração a explodir quando os nosso lábios finalmente se encontram. E nunca me senti com tanta euforia nem com tanto medo na minha vida. Gosto dessa euforia porque é a maneira que tenho de sentir que estou feliz. Gosto desse medo, porque me faz perceber que estou viva, que o coração bate e que me fazes sentir que afinal existo.
É noite, estamos perdidos porque não sabemos que caminho devemos tomar, mas sabemos que estamos perdidos um no outro, sem estar junto um com o outro.


16/03/2013

«Porque eles acabam e recomeçam; ciclicamente, como os movimentos do Sol e da Lua. Eles morrem e ressuscitam, recorrentes, como a passagem das estações.»

Sun Tzú, A Arte da Guerra, Samuel B. Grittith

As mulheres mentem tão bem

A vida resume-se a uma coisa muito simples: a um amontoado de situações que resultam de decisões que tomamos constantemente na nossa existência. Aquilo que nos tornamos é o que resulta dessas circunstâncias que nos põem à prova.
Aquilo que tu és resulta daquilo que te aconteceu, daquilo que não tiveste culpa mas que não consegues esquecer nem ultrapassar.
Ela magoou-te. Quebrou todas as promessas que outrora fizeram um ao outro, ela quebrou o feitiço mágico em que tu acreditavas que era amor. Ela fez com que tu te sentisses nada, com que tu não valesses, com que tu não tivesses significado nem importância após tanto tempo juntos, que tudo o que viveram fora mentira, um gasto de tempo que jamais conseguirás recuperar. Ela magoou-te, arrastou-te para uma ponte, arrancou o teu coração, rasgou-o ao meio, atirou-o para bem longe, para um sítio onde nunca mais o pudesses ver, para o sítio onde vão as coisas perdidas e nem retorno, para o vazio, para um buraco negro da cor dos olhos dela e tu nunca mais viste o teu coração.
Ela fez com que tu desacreditasses que o amor fosse algo real, que gostar de alguém fosse possível porque tu gostavas dela, ela traiu toda a confiança que tinhas depositado nela. As mulheres mentem tão bem... 
O amor é o coração, e todos têm um. Menos tu, que agora já não o tens. Amor é quando encontras alguém disposto a dividir o coração contigo, para que ambos tenham onde guardar o carinho, as memoriasm, o cheiro, o beijo, a pele, o suor. O amor é partilha e confiança, e sempre será.
Sabes, ela magoou-te mas é como se diz, «Os homens são todos iguais e as mulheres todas diferentes». Havia alguém novo, alguém diferente, talvez alguém melhor, mas tu, ainda embebido na maldade de quem te magoou, não soubeste aceitar o coração, acreditas que ainda tens o teu, mas já to roubaram à tanto. Nunca saberás o que é o amor depois da mágoa se não quiseres dividir o coração com alguém que gosta de ti está disposto a dar-te. Não penses que essa pessoa nova quer oferecer-te metade do coração e também dar-te metade do que sente por ti, ela está sim a oferecer-te a outra metade dum sítio onde possas guardar tudo o que é bom de guardar, está a dar metade do coração onde possas deixar crescer o que é bom na vida, a força mais verdadeira que existe: o amor. A palavra talvez te assuste, mas o amor tem tão de simples quanto o ser humano (tu) de complicado. Um dia vais ter de aprender a largar, a esquecer ou a viver com o que te aconteceu. Um dia vais deixar de ter medo e vais deixar de pisar um sonho por um erro que não cometeste. Um dia vais aprender que vale a pena baixar as armas e deixar ir. Porque amar é confiança e partilha e é também não ter medo de mostrar quem se é de verdade à outra pessoa.



Talvez sejamos os dois corpos com alma demasiado livre e sem coração e, por isso, nenhum de nós consegue oferecer a outra parte do coração que falta ao outro.

07/03/2013

Uma saudade eterna

Este dia parece não ter fim... As horas passam e vejo o relógio parado. Talvez tenha sido só eu a parar no tempo. Talvez o tempo tenha sido solidário e parou comigo. Não... O tempo está parado e eu ás voltas.
Hoje foi o dia mais difícil de toda a minha curta vida, até então.

Que o brilho dos teus olhos azuis perdurem para sempre perto da minha alma. Tudo está ligado, e há coisas que são para sempre. 

Alexandre Gaspar ♥
XII - I - MCMXXXIV