Separadores

ATENÇÃO

Este blog é pessoal demais. Este blog dá de si e do seu espaço, da sua liberdade, do seu pensamento e, sobretudo, do seu coração.
Acima de tudo: "Eu escrevo como falo, como sonho, como penso."
Por isso SEGUE O QUE SENTES.

27/03/2014

Uma tempestade num copo d'água

«Então tu olhas para o meu copo d’água e dizes: “eu sou só um copo d’água, mas tu ficavas a olhar-me e a pensar nas bolhas e nos gelos e nos canudinhos e na transparência e se a água era isso ou aquilo. Água é só água, por que é que tu complicas a água?”. Então, apagaram a luz e eu quis esconder-me dentro do teu paletozinho de publicitário descolado e ouvir as tuas batidas descompassadas e embaladas pelo teu cheiro de alma boa. Mas tu pegaste na minha mão e continuaste a dizer que uma mão, muitas vezes, é apenas uma mão. Mas que eu insistia em olhar os buracos entre os dedos, os anéis que separavam os dedos, a dor da separação dos dedos, a gota da bebida gelada entre os dedos. E que tu não poderias suportar isso. A maneira como eu te olhava. Vendo mais, inventando mais, complicando mais. E eu quis dizer-te que tudo bem, eu seria uma menina simples. Eu mataria o meu narrador, as minhas possibilidades, os meus mundos, as minhas invenções. Só de ver os teus cachos mais grisalhos e rococós ornando os teus medos e superficialidades, eu desejei não ser mais eu pra ser qualquer coisa que pudesse ser tua. Mas enchi o meu peito surrado e murcho de coragem e disse-te que, infelizmente, onde você era apenas um copo d’ água eu era a tempestade.»

Tu és simples, calmo, imponente, és o copo d'água. E sou complicada, sentida, quebrada, sou a tempestade. Mesmo assim, quando eu vejo o mundo de forma diferente da tua, a gente continua a amar-se mais e mais. Talvez eu nunca soube outrora o que era o amor até entrar nesta loucura repentina, à uns meses atrás, desde o dia em que te conheci em que fiquei vidrada em ti. Tudo passou a girar em torno desse belo ser.
 
Meu amor, mesmo sendo tão diferentes e vivendo distantes de segunda a sexta, não mudes nem um pingo da matéria de gente de que és feito. Porque eu gosto tanto de ti assim, tal e qual.

25/03/2014

O que eu gosto em ti

És fantástico, maravilhoso até! Nós temos um entendimento que mais ninguém tem. Tens paciência para mim, para a Catarina-criança e para a Catarina-adulta. Acima dessa paciência louvável para um bicho-do-mato e mau-feitio como eu, adoro a forma como tens objectivos na vida, embora leves sempre uma vida ao sabor do vento vinda do acaso. Adoro a forma como o saber é prioritário e insaciável e queres sempre saber mais. Gosto que gostes de documentários, de filmes, da magia, do sonho, da arte, da vida. Gosto que me olhes com uma ternura tão doce com aquele sorriso fugido no canto dos lábios. Aquele olhar de quem pertence sem se ser dono. Gosto de dormirmos sempre agarrados, seja numa cama minúscula ou numa gigante, mesmo com 40 graus debaixo dos lençóis. Gosto de como pensas sobre a arte, sobre as coisas, sobre a vida. Gosto que penses. Que sejas inteligente, sobretudo. E ainda que tenhas aquela piada que deixa qualquer miúda caídinha. Apesar de não achar tanta piada quando as miúdas te acham piada... Gosto de como alinhas nos meus pensamentos mais triviais e nas minhas brincadeirinhas de gente pequena. Gosto que gostes de mim, como sou, sem artifícios nem postiços. Gosto do teu andar imponente, do teu ar de menino quieto mas da tua alma louca. Gosto de ti porque me fazes sentir viva, como eu já não sabia sentir há muito. Gosto que me faças sentir que eu sou óptima na minha própria pele, quando saio do banho onde lavei toda a maquilhagem e o meu cabelo, ainda molhado, não está perfeito. Gosto que me faças sentir que eu posso ser eu própria e ter mil defeitos estampados na cara que tu não vais mudar a forma como me vês. Tu dizes que sou bonita tal como sou. E eu, agora, acredito. Gosto que me ames na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na proximidade e na distância, confiante ou toda quebrada em pedaços. 
Na verdade, és tu que fazes as peças encaixarem todas e fazes com que agora eu entenda o que é viver de amor... Morrer de amor eu não sei, ainda. Mas viver... Oh, viver, eu vivo deste amor!

"Nós nunca sabemos se vai durar uma noite ou uma vida inteira" mas enquanto acordares do meu lado, todas as manhãs eu vou continuar a saber viver de amor, sem precisar de mais nada. Nem ninguém.

Alma inquientante

O meu coração não sossega, a minha alma desatina. Sou um ritmo apressado, fugidio, sinto a complicar o simples. Vivo a vida aos atropelos sempre que vais... 


...Mas a paz sempre vem quando voltas com ela e me abraças de novo.

11/03/2014

Totem

Quando há algo que nos abate, o que conta é termos algo que nos faz querer continuar a erguermo-nos a nós próprios.

«E no final de contas o que conta é como lidas com aquilo que te afronta e se estás pronta para a faca e ter de ouvir que és uma farsa, feia e fraca e conseguir sobreviver a tudo aquilo que te mata, e como a nata conseguir vir à tona enquanto os outros nem se notam, porque és mais forte do que aqueles que te atacam e tens a sorte de ter o Hip Hop como um totem."»
de Capicua, in Totem


09/03/2014

Aos poucos tudo torna-se mais simples

Passam-se anos desde que já não és criança. 
"De repente tudo vai ficando tão simples que assusta. A gente vai perdendo as necessidades, vai reduzindo a bagagem. As opiniões dos outros são realmente dos outros e mesmo que sejam sobre nós, não tem importância. Vamos abrindo mão das certezas, pois já não temos certeza de nada. E, isso não faz a menor falta. Paramos de julgar pois já não existe certo ou errado e sim a vida que cada um escolheu experimentar. Por fim entendemos que tudo o que importa é ter paz e sossego, é viver sem medo, é fazer o que alegra o coração naquele momento." Se possível ter alguém pra partilhar sorrisos, beijos e momentos. Se possível ter amigos verdadeiros que são aqueles que nunca foram. 
E só...