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Este blog é pessoal demais. Este blog dá de si e do seu espaço, da sua liberdade, do seu pensamento e, sobretudo, do seu coração.
Acima de tudo: "Eu escrevo como falo, como sonho, como penso."
Por isso SEGUE O QUE SENTES.

29/04/2012

Eu tive um amor muito grande...

Sabes quando amas mesmo alguém que essa pessoa passa a ser tudo o que tu és?
Eu tive um amor muito grande, quase arrebatador, um tornado impossível de domar e impossível de prever. Tive um amor que, de tão grande, era tão cego. 
Eu amava-o com tudo o que tinha, apesar de ser nova. Eu sempre achei que o amor é sempre aquele frio na barriga, e as noites a sonhar com o rosto dele, e o acordar a pensar no que hei-de vestir porque ele me vai ver e eu quero que ele se impressione comigo, quero ser a melhor para ele. Amar, para mim é aquela sensação de que o teu corpo está num sítio mas a tua cabeça está ás voltas a pensar no que ele estará a fazer nesse momento, se estará muito longe e, se está perto, porque é que não vem ter contigo.
O amor vem desde pequeninos. Eu não tenho que sentir amor só aos 30 porque aos 14 não sei o que é amar. Ridículo! Eu aos 30 vou é saber amar de uma maneira diferente que com 14 não me era possível, e aí está a grande diferença, aquela que os adultos confundem o amor em fase da adolescência com paixonetas de adolescentes... que mesmo com 30, por vezes, se tem. Mas são essas paixonetas que moldam a nossa forma de amar, são elas que nos preparam os suores frios, as borboletas na barriga, as lágrimas incontroláveis na almofada e as horas a escrever o nome dele em tudo o que nos for possível. Porque o amor tem sempre razões que a própria razão desconhece. E porque nunca amamos duas pessoas diferentes da mesma maneira e, por isso, o amor é sempre diferente, apesar dos sintomas semelhantes.
Eu tive um amor grande, muito grande por um rapaz. Daqueles amores que se passa a ver só ele e tudo o resto é relativo e de pouca importância. Daqueles amores que, de se amar tanto, faz-se o impensável, mudam-se ventos e marés e pouco nos importa as consequências dos nossos actos, porque é o amor que nos move, nos condiciona e nos guia, mesmo na cegueira imensa desse amor. Eu amei tanto, que faria tudo por ele, e fiz tudo quanto podia... Amei tanto que, mesmo naquele amor sem amor, porque afinal quem amava pelos dois era eu, eu fui a melhor pessoa que podia e conseguia ser para ele, só para que ele pudesse ter o orgulho em ter alguém como eu do seu lado. Mas que inocente que fui!...
De tanto amar, perdi a minha essência, perdi o brilho e só percebi isso no final. De tanto amar, na minha maneira de o amar, e de tanto querer dar sempre mais para ele nunca me largar, rasguei tanto o coração que ficaram apenas os ossos e por entre eles, ressecados do amor que eu não tinha porque o tinha dado todo, a minha alma fugiu.  E aí percebi que, de tanto o amar, deixei de me amar a mim própria. Deixei de ser quem era... Mas hoje sei que nunca se pode dar aos outros mais do que aquilo que eles estão habituados a receber.

Hoje sou uma pessoa nova, recuperei a personalidade e moldei-a de novo, arranjei uma capa para me defender daqueles que me magoam mas de modo a que pareça que eu sou forte e saio ilesa, das minhas feridas trato eu! Hoje amo como posso, com tudo o que sou e com tudo o que tenho, com toda a minha alma, coração e corpo, que é a forma mais inteira e verdadeira de se amar. Mas nunca mais perdi a essência, que é aquilo único que faz alguém se apaixonar por nós. E nunca mais deixei de me amar, mesmo quando ninguém me amava de volta. E nunca mais deixei que me roubassem o sorriso, nem o coração, nem a alma. E agora vivo feliz.

2 comentários:

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