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22/10/2014

Vontade de ser mais e melhor

Há muito que não escrevo nada meu para quem me lê ou ainda me visita aqui neste meu recanto. Hoje recebi um convite inesperado e que me surpreendeu de tal forma que me inspirou. Primeiro porque a pessoa que me fez o convite sempre foi uma enorme inspiração para mim e, segundo, porque quando um sentimento de felicidade tão grande, ao ponto de não conseguirmos sequer conter o sorriso nos lábios, nos invade a alma toda assim de repente, fica-se com vontade de se ser mais e melhor!
Hoje quero ser mais e melhor.
E como a melhor parte de mim és tu, hoje quero partilhar isto contigo:

Eu vejo o mundo de outra forma desde que te conheci. Ao início era tudo tão sublime, tão azul-profundo, tão pés a levitar. Ao início era um mar de rosas, eram noites agarrados entre sonhos e esperanças de tempos eternos, eram suspirar para que houvesse mais um dia no Verão, mais uma hora em cada dia, mais um dia em cada mês... Era querer mais e mais e sempre mais. Connosco existe essa sede que não cessa, essa vontade de ser mais e ser melhor connosco próprios e ser mais e melhor um com o outro, um para o outro. Ao início eram pés descalços e jantares longos. Nunca houveram flores compradas ou bom-bons no Dia dos Namorados. Houveram sim muitos beijos roubados e flores apanhadas num jardim regado horas antes. No início, tal como agora, há sempre um cheiro a fresco, a novidade. No início haviam muitas coisas. Agora ainda há mais. Sempre fomos alimentados com esses mais que nos adicionava-mos. Sempre nos fomos adicionando: eu adicionei-te e tu a mim. Eu dei-te sensatez e um coração mais quente. Tu deste-me aventura e um coração mais acelerado. E ambos nos demos uma casa, um porto-seguro, onde somos almas gémeas ou almas que se pertencem.
Ontem lia eu, mais uma vez, a crónica sobre as almas gémeas do senhor escritor Miguel Esteves Cardoso, e essa ideia ficou a pairar-me, suspensa, entre o teu sorriso e o teu abraço na minha mente. A alma gémea pode ser alguém que, mesmo sem se dizerem nada, se diz tudo. Almas onde se entra de rompante na vida e nem se dá conta que a porta ficou aberta. Almas gémeas, almas que se pertencem, almas que se completam. Nas almas gémeas, não existe espaço sequer para haver ar. Só existe uma alquimia indecifrável à volta de dois corpos que não desaparece, que não se esvai, que não se vê, sequer, a olho nu. E essa alquimia toda só nós sentimos. Essa alquimia pura somos nós. Porque nenhum de nós sabe explicar o que nos aconteceu. É como se tivéssemos sido atingidos pela mesma bala, onde os nossos sangues e existência se fundissem. É como se houvesse um elo invisível atado a aos nossos dedos mindinhos.
A minha alma gémea és tu.
A melhor parte de mim és tu. Desde o início até agora.

Obrigada por acreditares sempre em mim, meu anjinho bom. 

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